Araruama deu mais um passo para estruturar a atuação das escolas diante de situações de violência. Durante a I Jornada pelo Cuidado: Violências nas Escolas: Construção de uma Cultura de Cuidado, realizada nesta terça-feira (22), a delegada da Polícia Civil Dra. Fernanda Fernandes destacou o caráter pioneiro do trabalho desenvolvido pelo município para a construção de um protocolo de atendimento e encaminhamento desses casos.
A proposta é criar um fluxo que ajude os profissionais da rede municipal de ensino a identificar situações de violência, registrar corretamente as ocorrências e saber quais órgãos devem ser acionados em cada caso. O protocolo está sendo construído a partir das demandas das próprias escolas e integra um trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação em articulação com a rede de proteção.
Para Fernanda, capacitar os profissionais e estabelecer procedimentos claros são medidas fundamentais para dar segurança à atuação das equipes. Ela destacou ainda que a iniciativa adotada por Araruama se diferencia pela intenção de transformar as discussões da formação em um protocolo permanente de atuação.

“Queria parabenizar a iniciativa e falar que é uma ação muito importante e pioneira. Eu não conheço nenhum município que tenha feito esse tipo de iniciativa com esse protocolo”, destacou a delegada.
A construção do documento vem sendo preparada a partir de um levantamento das principais demandas apresentadas pelas unidades escolares. O objetivo é definir caminhos para situações que envolvam diferentes tipos de violência, aproximando Educação, Saúde, Assistência Social, Conselho Tutelar, forças de segurança e demais instituições que integram a rede de proteção.
Durante a participação, Fernanda ressaltou que ainda há muitas dúvidas entre os profissionais sobre como proceder diante de uma suspeita ou confirmação de violência. Segundo a delegada, a falta de orientação adequada pode gerar consequências não apenas para a vítima, mas também para quem tem a responsabilidade de realizar os encaminhamentos.
“Quando a gente não sabe o que fazer com aquela violência, como conduzir, quais são os órgãos para os quais precisamos fazer esse encaminhamento, se precisa registrar ou documentar, isso tem implicações futuras, não só criminais, como cíveis também, e até de responsabilidade administrativa”, afirmou.
A delegada também chamou atenção para os novos desafios enfrentados pelas escolas com o avanço das relações no ambiente digital. Entre as situações citadas estão o cyberbullying e as violências de caráter sexual que podem começar entre estudantes e se estender para fora do espaço físico da unidade escolar.




