Enquanto atletas de diferentes partes do país se preparam para disputar o 2º Desafio Brasileiro de Kitesurf Araruama, entre esta sexta-feira (18) e domingo (20), na Pontinha do Outeiro, o atleta e instrutor Arthur Marino vive a competição com um significado especial. Praticante da modalidade desde 2001, ele acompanhou de perto a transformação do kitesurf em Araruama – de um esporte praticado por poucos para uma atividade que hoje atrai competidores, alunos e visitantes para a Lagoa de Araruama.
Arthur estará na Pontinha do Outeiro durante o evento, que terá disputas nas modalidades TT Race e Big Air, nas categorias masculina e feminina. Para ele, competições como o Desafio Brasileiro representam uma oportunidade de mostrar para atletas e visitantes uma estrutura natural que, há décadas, faz parte de sua própria história.
“Minha história no kitesurf começou no ano de 2001, quando fui trabalhar numa escola de dois irmãos franceses que ajudaram a trazer o esporte para a nossa região. Trabalhei durante quatro anos com eles e depois fui caminhando sozinho, adquirindo conhecimento, conteúdo e material. Uns seis anos depois, já estava ministrando minhas aulas sozinho”, contou o atleta.
Foi também nessa época que Arthur começou a ajudar a formar a comunidade local de praticantes. Hoje, ele se considera um dos pioneiros da modalidade no município. “Sou pioneiro na cidade. Fui o primeiro praticante desse esporte aqui, chamei muitos amigos, muita gente veio através de mim”, afirmou.
Uma lagoa que virou parte da história
Ao longo de mais de duas décadas, Arthur percorreu diferentes pontos da Lagoa de Araruama sobre a prancha. A relação com a água e o vento, segundo ele, é justamente uma das razões que fizeram o kitesurf se tornar seu principal esporte.
“O kitesurf é importante para mim porque é um esporte que te dá uma sensação de liberdade muito grande. Você está em contato com dois elementos da natureza que são incríveis. Você está na água, tem o vento, a pipa, a prancha e, na verdade, tem várias coisas, mas só tem você”, explicou.
É nessa mesma lagoa que o Desafio Brasileiro encontra o cenário para reunir atletas de diferentes níveis e regiões. A competição também ajuda a colocar em evidência as características que, segundo Arthur, fazem de Araruama um destino particularmente favorável para a modalidade.
Para ele, a Pontinha do Outeiro é um dos melhores pontos da Lagoa de Araruama para velejar. O local possui uma extensa faixa de banco de areia e áreas de diferentes profundidades, características que, na avaliação do atleta, favorecem tanto o aprendizado quanto a prática de quem já tem experiência.
“A Pontinha do Outeiro não tem igual. O banco de areia dela é extenso para dentro da lagoa, em sentido à Praia Seca. Isso permite dar aula em qualquer direção de vento. Se tem força, tem velejo”, disse.
O esporte que cresceu diante dos olhos

A paisagem que Arthur encontra hoje durante seus treinos é diferente daquela que conheceu no início dos anos 2000. Se antes eram poucos praticantes espalhados pela lagoa, agora as pipas se multiplicam em diferentes pontos.
“Antigamente você não via nada. Só via mesmo um ponto específico, aquela galera que tinha um pouco mais de dinheiro. Hoje em dia, não. Você vê muita gente praticando esporte. A cidade se envolvendo, captando e divulgando. É muito bacana. Eu fico muito feliz de ver que a cidade está abraçando a causa do kitesurf”, comentou o atleta, orgulhoso.
O crescimento também aparece na procura pela escola de Arthur, instalada na própria Pontinha do Outeiro. Segundo ele, o espaço recebe alunos de diferentes partes do Brasil, principalmente do estado do Rio de Janeiro.
É justamente a expansão do esporte que faz o atleta enxergar importância no Desafio Brasileiro. Para ele, receber uma competição nacional ajuda a apresentar Araruama para quem ainda não conhece a cidade como destino de kitesurf.
“O evento em si dá visibilidade. A gente sabe que tem toda uma história por trás, mas o evento na cidade chama atenção, atrai. As pessoas olham Araruama com um pouco mais de amplitude: ‘tem o kitesurf lá, tem aquele evento’. É sensacional para divulgar e expandir o esporte na nossa região”, analisou.
A edição deste ano terá a participação da Confederação Brasileira de Vela (CBVela) e da Associação Brasileira de Kitesurf (ABK), além da parceria com o município. Para Arthur, a presença das entidades ajuda a dar dimensão nacional à competição. “O nosso evento está bem estruturado. A gente só precisa agregar um pouco mais para tornar ele, de verdade, um grande evento”, pontuou.
Expectativa para o fim de semana

A poucos dias do início das disputas, a expectativa entre os praticantes é pela chegada do vento e pelas condições necessárias para as provas de TT Race e Big Air. Arthur acompanha essa movimentação de perto. Segundo ele, os grupos de praticantes já discutem a previsão do tempo e as condições para a competição, mas o interesse pelo evento não está restrito aos atletas que disputam os primeiros lugares.
“Os competidores vêm também pelo evento, pelo simples fato de estar com a galera reunida, competindo. Você vê velejadores que aprenderam a velejar há seis meses, que estão praticando de regata, chegam por último e chegam amarradões. Conforme a gente vai evoluindo e crescendo com o evento, a tendência é a gente atrair cada vez mais praticantes. Agora a gente está com uma condição praticamente perfeita para esse evento. Vai dar certo, vai ser lindo”, concluiu.

Serviço
Evento: 2º Desafio Brasileiro de Kitesurf 2026
Data: sexta-feira, 18, a domingo, 20 de setembro
Horário: a partir das 9h
Local: Pontinha do Outeiro, em Araruama




