O ministro Gilmar Mendes encaminhou novamente ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o processo que vai definir a situação política do ex-prefeito de Duque de Caxias e ex-secretário estadual de Transportes, Washington Reis (MDB). A análise será feita em sessão presencial, ainda sem data definida.
O recurso de Reis chegou a ser incluído na pauta do plenário virtual em 7 de agosto, com previsão de julgamento entre os dias 22 e 29 deste mês. No entanto, a apreciação havia sido interrompida em março, quando Gilmar pediu vista do processo. Até aquele momento, o placar parcial registrava três votos a favor da manutenção da condenação contra um pela absolvição.
Condenação
Washington Reis foi condenado em 2016 a sete anos de prisão por crime ambiental, em razão de loteamento irregular na área conhecida como Vila Verde, na zona de amortecimento da Reserva Biológica do Tinguá. O episódio remonta ao seu primeiro mandato como prefeito de Duque de Caxias.
Por consequência da condenação, o emedebista ficou inelegível e não pôde disputar as últimas eleições. Caso o STF mantenha a decisão, ele seguirá impedido de concorrer em 2026, embora seu nome continue sendo citado como possível candidato ao governo do Rio ou ao Senado.
Andamento no Supremo
O relator do caso é o ministro Flávio Dino. Até agora, Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram pela manutenção da condenação, enquanto André Mendonça se posicionou pela absolvição. Já Dias Toffoli declarou-se impedido de participar do julgamento.
Em junho, Gilmar Mendes levantou a possibilidade de um acordo de não persecução penal (ANPP), que poderia substituir a pena por medidas alternativas, como reparação de danos ambientais. Esse cenário abriria espaço para uma reabilitação política de Reis.
Apoios e articulações
A defesa de Washington Reis é conduzida pelo advogado Antônio Carlos de Almeida, o Kakay, conhecido por atuar em processos de grande repercussão em Brasília.
Nos bastidores, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), tem se movimentado em apoio ao ex-prefeito da Baixada, considerando-o um nome competitivo para o Senado.
Uma eventual reversão da condenação pode alterar a formação de alianças para 2026. Ex-aliado de Jair Bolsonaro (PL), Reis chegou a ser cogitado como sucessor do governador Cláudio Castro (PL), mas perdeu espaço com o fortalecimento do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). A definição do STF será determinante para o rumo dessas articulações.



