Os ânimos estão se acirrando conforme as composições para o próximo pleito político se aproximam. Além das disputas internas por candidaturas às câmaras federal e estaduais, há um medo no ar que, a pretexto de uma composição de uma federação entre partidos, os compromissos políticos firmados em 2020 nas municipais, não possam ser honrados em 2024.
As federações foram uma forma de atenuar a proibição das antigas coligações partidárias que valiam apenas para a eleição vigente sem nenhum compromisso posterior. Mandava quem conseguia o mandato e ponto final. Com as federações, os partidos federados assumem um casamento durante quatro anos tanto na divisão dos cargos caso eleitos, quanto nas próximas eleições municipais sob pena de serem desfeitas e seus mandatos revogados.
Como esse congresso vigente não concluiu a reforma política prometida, os deputados de mandato e os postulantes ao executivo estão apreensivos com os arranjos de suas majoritárias sob risco de perderem o tamanho de suas bancadas e o tão sonhado Fundão Eleitoral. Fundão que, apesar de todos os brasileiros (ou a grande maioria) acharem antiético, se tornou legal pois foi aprovado pelo congresso e endossado pelo executivo!
Fora do mérito de ser a favor ou não do financiamento público de campanhas, está claro que o financiamento em si não é o problema, mas sim o seu modal, seu escopo, seu método. O certo é que veremos uma eleição com a maior compra de votos coletiva da história do país, tanto por essa enxurrada de dinheiro nas campanhas quanto com as pomposas verbas de emendas do relator, chamado orçamento secreto. Essa apropriação do orçamento público para bancar o próximo pleito trará sérias consequências em nosso dia-à-dia e se espera um quadro crítico de recessão nos próximos meses.
Os prazos já estão acabando e os jogos estão começando pra valer. Muitos aguardando seu lugar ao sol, mas muitos outros tentando manter seu mandato, suas benesses e, principalmente, seu foro privilegiado.
Por Mardonio Gomes, empresário.



